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15 anos de carros flex no Brasil    

 



VW Gol foi o primeiro modelo com motor bicombustível no país. 

 



04/05/2018 - Texto: Autoline | Foto: Divulgação

Jaguar controlado pelo relógio

Primeiro carro flex, o VW Gol tinha motor 1.6 de 99 cv.

No final dos anos 1980, a indústria automotiva brasileira começou a vender os primeiros carros com motor movido a álcool. Era o passo inicial para o desenvolvimento de automóveis com menos emissões de poluentes. A tecnologia, porém, foi questionada, porque muitos motores apresentavam alto índice de corrosão em seus componentes. Além disso, casos de falta de etanol nas bombas dos postos eram recorrentes.

Mas os departamentos de engenharia seguiram adiante em suas pesquisas até que, em 2003, a Volkswagen lançou o Gol Total Flex, com o inovador sistema de poder abastecer o tanque com gasolina e álcool (etanol) ao mesmo tempo e em qualquer proporção.

Ao longo de 15 anos, os carros flex venceram barreiras e ganharam as linhas de montagem de todas as fabricantes. A partir do Gol 1.6, mais de 30,5 milhões de carros flex – nacionais e importados – foram emplacados no Brasil. A Volks avançou rapidamente na direção da tecnologia flex e lançou, também em 2003, o Fox equipado com o primeiro motor 1.0 bicombustível.

Para se ter ideia da disseminação dos carros flex no Brasil, em 2003 eles representavam 3,6% dos modelos comercializados por aqui. Em 2008, esse número já era de 87,2% e, no ano passado, a participação chegou a 88,6% dos emplacamentos. 

Com o tempo, os motores flex ganharam aprimoramentos. Antes, o sistema de partida a frio não dispensava o famoso tanquinho, pequeno reservatório de gasolina para ajudar a ligar o carro de manhã, por exemplo. Hoje, a tecnologia de aquecimento do etanol nos bicos injetores antes mesmo da partida está fazendo os tanquinhos desaparecerem dos carros flex. 

O primeiro modelo bicombustível importado foi o Nissan Tiida, que vinha do México. Atualmente, o sistema flex também faz parte de motores turbinados e com injeção direta, como Audi A3, BMW Série 3 e Mercedes Classe C.

O meio ambiente agradece. Segundo especialistas, o uso intensivo do etanol, derivado da cana de açúcar, nos motores flex, evitou a emissão de 450 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2), o maior causador do aquecimento global e de mudanças climáticas no planeta.